O Líder dos Sonhos

Idéias sobre Autoconhecimento e Liderança

Posts Tagged ‘Relações de trabalho

Médico pioneiro do cateterismo é obrigado a abandonar a cardiologia

leave a comment »

Não sei se você já se deu conta, mas toda vez que algum vanguardeiro lança uma nova idéia, acabamos oferecendo resistência. É como uma vontade inconsciente que temos de evitar a mudança. Em alguns casos, acabamos condenando o descobridor do novo paradigma ao ostracismo. Por vezes, realmente acabamos com a vida da pessoa.

Leia esta caso contado pelo meu amigo DeRose sobre o médico alemão criador do cateterismo:

“Werner Forssman, nasceu em Berlim a 20 de agosto de 1904. Formou-se em medicina em 1928. Desenvolveu uma teoria que ninguém aceitava: a de que seria possível introduzir uma sonda por via intravenosa e conduzi-la até o interior do coração, sem matar o paciente. Obviamente, não poderia usar cadáveres, pois já estavam mortos. Tentou autorização dos seus superiores no hospital para levar a efeito a experimentação em algum paciente. É claro que não foi autorizado. Então, não podendo utilizar cobaias humanas, usou o seu próprio corpo.

“Cortou uma veia do braço e introduziu um cateter (a pronúncia correta é catetér e não catéter) e foi empurrando-o até que atingiu o órgão cardíaco. Para provar que havia conseguido e que tal procedimento não matava o paciente, foi até a sala de raios-x e, sob os protestos dos colegas, bateu uma chapa. Era incontestável! Ninguém poderia questionar sua descoberta que viria a salvar tantas vidas no mundo inteiro. Sua recompensa? Foi tão punido, criticado e atacado que teve de abandonar a cardiologia!

“Durante mais de duas décadas não era convidado para nada e se ousasse comparecer a algum congresso tinha que sofrer o constrangimento de ser apontado pelos seus pares como um indesejável. Após 25 anos de humilhações e exclusões, finalmente, o reconhecimento. Em 1956, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina”.

Por sorte, ele foi reconhecido com o prêmio. Mas imagine quanta força de vontade e determinação ele deve ter tido para suportar 25 anos de exclusão? Será que nós teríamos a mesma coragem de manter a convicção num caso destes?

Encare este fato como uma vacina. Se você for um inovador, um criador, uma pessoa que estabelece novos paradigmas, tenha a certeza absoluta de que enfrentará muita resistência. Para enfrentar este fato, desenvolva coragem.

Percepções sobre a mente humana – o experimento da Prisão de Stanford

with 8 comments

Este é o experimento mais intrigante de todos os que envolvem o estudo do comportamento humano. Em 1971, Philip Zimbardo, ex-Presidente da American Psychological Association e até hoje professor da Universidade de Stanford, decidiu fazer um teste no mínimo curioso: transformar o Departamento de Psicologia numa prisão simulada. O objetivo era avaliar como pessoas consideradas normais reagiriam quando fossem sujeitadas a uma mudança radical nos papéis normais de suas vidas.

Philip Zimbardo

"Rock'n Roll": Zimbardo (E) não imaginava o que iria acontecer.

Voluntários apresentaram-se após responderem a um anúncio no jornal. Uma série de avaliações foram feitas, de modo a possibilitar a escolha de pessoas que estivessem com boa saúde e que fossem estáveis mentalmente. Todos eram estudantes universitários, do sexo masculino, e foram divididos arbitrariamente em 12 guardas e 12 prisioneiros. Zimbardo decidiu que faria parte também e elegeu-se o Superintendente da Prisão. O experimento duraria duas semanas.

Para tornar a situação real, os “prisioneiros” foram presos pelos “guardas” em carros com sirene. Tiveram suas digitais recolhidas, os olhos vendados e foram colocados em uma cela. Tiraram suas roupas, foram sanitizados com vermífugo, tiveram os cabelos cortados, ganharam uniforme e um número e tinham uma corrente prendendo seus pés. O guardas usavam uniformes e cassetetes. Tudo pronto para o início do experimento.

Bastaram dois dias para os prisioneiros começarem uma rebelião contra o seu encarceramento. A camas foram colocadas contras as portas e o guardas insultados. Estes, então, acharam que era um bom momento para usarem os extintores de incêndio contra os rebelados. Se não bastasse, deixaram os prisioneiros nús e tiram suas camas, de modo que os obrigaram a dormir no chão.

A partir daí, o inferno imperou. As ofensas não pararam mais. O uso do banheiro foi restringido pelos guardas, que obrigavam os prisioneiros a limpá-los com as próprias mãos. Os detentos eram obrigados a fazerem exercícios humilhantes. Até mesmo Zimbardo, condutor do experimento, ficou tomado pelo papel de Superintendente, transformando-se numa rígida figura institucional. Para ele, a preocupação maior ela a segurança da prisão e o bem estar dos participantes foi relegado a segundo plano.

Com apenas seis dias, o experimento foi interrompido por Zimbardo, com diversos guardas não concordando com o fim. Os prisioneiros estavam psicologicamente exaustos. Era melhor parar agora antes que algo mais grave acontecesse.

“E o que isso tudo tem haver comigo?”

Sabe aqueles casos que vemos na televisão, de guardas mal-tratando inocentes ou de torturas maldosas? Pois é, é muito provável que você também agisse da mesma maneira que os inquisidores.

Psicólogos que estudaram mais sobre este assunto mostraram que o que impede de torturarmos fisicamente as pessoas à nossa volta é o medo da repercussão. O experimento da Prisão de Stanford mostrou que é só dar um poder absoluto sobre alguém que a pessoa começa a tomá-la como posse e a tratá-la como um objeto.

Este sentimento de posse gera apego e provavelmente fez com que o homem fizesse tantas guerras, até mesmo em nome da religião. Talvez aí resida um das causas de tratarmos o nosso planeta com tanto descaso, subjugando as demais espécies e poluindo-o incessantemente. Parece que realmente nascemos com alguns parafusos a menos e que teremos uma longa jornada até alcançarmos um estágio mais evoluído.

Enquanto isso, fique atento à si mesmo, pois o próximo caso de violência gratuita pode ser protagonizado por você.

Assista o vídeo abaixo, elaborado pelo Discovery Channel.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “video“, posted with vodpod

Fontes:

Zimbardo, P. G. (1972). The Stanford Prison Experiment a Simulation Study of the Psychology of Imprisonment. Philip G. Zimbardo, Inc.

http://www.mindpowernews.com/5Psychological.htm.

http://www.spring.org.uk/2007/09/our-dark-hearts-stanford-prison.php.

Written by Nilzo Andrade

12/05/2009 at 7:10 am

Percepções sobre a mente humana – O experimento da conformidade de Solomon Asch

with 11 comments

Todos sabemos que o ser humano segue tendências. Nós copiamos das pessoas o jeito de vestir, de andar, de falar, de comportar-se. Isso é muito acentuado na adolescência, quando a necessidade de ser aceito é mais intensa. Mas até que ponto esta tendência de ser igual nos afeta? Você acha que o ser humano é capaz de dar uma resposta errada, mesmo sabendo a correta, só para acompanhar os demais?

Na década de 50 do século passado, Solomon Asch conduziu uma série de experimentos que comprovariam a tendência humana de seguir a opinião dos outros.

O experimento

Ele fez o seguinte: foram colocadas várias pessoas em uma sala com o objetivo de fazer um teste de visão. Variações da figura abaixo eram mostradas ao grupo e, após cada uma, perguntava-se qual das linhas (A, B ou C) era igual à da esquerda. O grupo era composto de 9 pessoas, sendo que 8 eram atores, ou seja, após algumas rodadas dando a resposta correta, eles começavam a dar a mesma resposta incorreta. Eles faziam parte do jogo sem a outra pessoa saber. Metade do tempo falavam que a linha era menor e a outra metade que a linha era maior do que a apresentada. O participante cobaia era sempre o sexto a responder.

As linhas de Asch.

As linhas de Asch.

Oberservando a figura acima, obviamente percebe-se que a resposta correta é C. Você só responderia errado se estivesse sob efeito de algum alucinógeno. Perceba que não estava sendo solicitado para observar um desenho complexo ou uma situação a ser interpretada.

A descoberta

Os resultados surpreenderam até mesmo Solomon Asch:

  • 50% das pessoas deram a mesma resposta, seguindo o grupo, mesmo que ele estivesse errado.
  • apenas 25% das pessoas negaram a dar as respostas erradas.
  • no total, a taxa de conformidade foi de 33%.

Asch entrevistou as pessoas após o experimento. Os sentimentos relatados são bem parecidos com aqueles que já você já sentiu:

  • todos sentiram ansiedade, com medo da reprovação pelos demais.
  • a maioria disse que sabia qual era a linha correta, mas sentia que o grupo estava correto.
  • alguns disseram que seguiram o grupo para não destoarem, mesmo sabendo que o grupo estava errado.
  • um pequeno número disse que estava vendo a linha do mesmo tamanho apontado pelo grupo.

Ser conformista ou não: eis a questão

Este dilema shakesperiano nos acompanha todos os dias. Tem horas que agir conforme o grupo é uma benção, em outras uma armadilha. Muito do convívio social depende deste ato natural; caso contrário, nossa existência seria impraticável. A conformidade é inerente ao ser humano e, assim como você dever estar atento a todas as suas capacidades e dons, deve estar atento a mais este também.

Cabe a você a decisão de como agir. Mas, para que seja adequada, é necessário autoconhecimento, autoestudo e auto-observação. Você pode até estar pensando que é um não-conformista, até achar outros não-conformistas e agir da mesma maneira que eles.

E, para você que lidera equipes, é fundamental o conhecimento de que os seus liderados podem estar seguindo o que você diz só para estarem conformes. É importante que você dê voz a eles. Quem sabe algum deles não tem a resposta que a sua empresa precisa para dar a virada?

Veja abaixo um exemplo contemporâneo do experimento de Asch.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.
more about “View Overstream: ‘Conformidade’“, posted with vodpod
Fontes:
Asch, S. E. (1951). Effects of group pressure upon the modification and distortion of judgments. Groups, leadership, and men, 177-190.
http://www.spring.org.uk/2007/11/i-cant-believe-my-eyes-conforming-to.php
http://www.mindpowernews.com/5Psychological.htm

Written by Nilzo Andrade

05/05/2009 at 3:21 am

Dia do Trabalho: fim da escravidão?

with 4 comments

Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. Confúcio


Você não acha engraçado comemorar o Dia do Trabalho com… um feriado? Se o ganha-pão fosse prazeroso para a maioria das pessoas, não haveria a necessidade de ficar longe dele neste dia. A ansiedade pela folga reflete o desejo de fugir de uma relação que lembra àquela que foi abolida (pelo menos formalmente) há 120 anos.

Como diz o sociólogo italiano Domênico de Masi, um trabalho verdadeiramente prazeroso é aquele que você não saberia dizer onde está a froteira do estudo, do lazer e do próprio trabalho.

Para você refletir, aqui está um vídeo antiguinho (por isso a qualidade do imagem não é tão boa) com o Waldez Ludwig. Será que a relação senhor do engenho-capataz-escravo não existe mais?

Written by Nilzo Andrade

30/04/2009 at 11:34 am