O Líder dos Sonhos

Idéias sobre Autoconhecimento e Liderança

Percepções sobre a mente humana – O experimento da conformidade de Solomon Asch

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Todos sabemos que o ser humano segue tendências. Nós copiamos das pessoas o jeito de vestir, de andar, de falar, de comportar-se. Isso é muito acentuado na adolescência, quando a necessidade de ser aceito é mais intensa. Mas até que ponto esta tendência de ser igual nos afeta? Você acha que o ser humano é capaz de dar uma resposta errada, mesmo sabendo a correta, só para acompanhar os demais?

Na década de 50 do século passado, Solomon Asch conduziu uma série de experimentos que comprovariam a tendência humana de seguir a opinião dos outros.

O experimento

Ele fez o seguinte: foram colocadas várias pessoas em uma sala com o objetivo de fazer um teste de visão. Variações da figura abaixo eram mostradas ao grupo e, após cada uma, perguntava-se qual das linhas (A, B ou C) era igual à da esquerda. O grupo era composto de 9 pessoas, sendo que 8 eram atores, ou seja, após algumas rodadas dando a resposta correta, eles começavam a dar a mesma resposta incorreta. Eles faziam parte do jogo sem a outra pessoa saber. Metade do tempo falavam que a linha era menor e a outra metade que a linha era maior do que a apresentada. O participante cobaia era sempre o sexto a responder.

As linhas de Asch.

As linhas de Asch.

Oberservando a figura acima, obviamente percebe-se que a resposta correta é C. Você só responderia errado se estivesse sob efeito de algum alucinógeno. Perceba que não estava sendo solicitado para observar um desenho complexo ou uma situação a ser interpretada.

A descoberta

Os resultados surpreenderam até mesmo Solomon Asch:

  • 50% das pessoas deram a mesma resposta, seguindo o grupo, mesmo que ele estivesse errado.
  • apenas 25% das pessoas negaram a dar as respostas erradas.
  • no total, a taxa de conformidade foi de 33%.

Asch entrevistou as pessoas após o experimento. Os sentimentos relatados são bem parecidos com aqueles que já você já sentiu:

  • todos sentiram ansiedade, com medo da reprovação pelos demais.
  • a maioria disse que sabia qual era a linha correta, mas sentia que o grupo estava correto.
  • alguns disseram que seguiram o grupo para não destoarem, mesmo sabendo que o grupo estava errado.
  • um pequeno número disse que estava vendo a linha do mesmo tamanho apontado pelo grupo.

Ser conformista ou não: eis a questão

Este dilema shakesperiano nos acompanha todos os dias. Tem horas que agir conforme o grupo é uma benção, em outras uma armadilha. Muito do convívio social depende deste ato natural; caso contrário, nossa existência seria impraticável. A conformidade é inerente ao ser humano e, assim como você dever estar atento a todas as suas capacidades e dons, deve estar atento a mais este também.

Cabe a você a decisão de como agir. Mas, para que seja adequada, é necessário autoconhecimento, autoestudo e auto-observação. Você pode até estar pensando que é um não-conformista, até achar outros não-conformistas e agir da mesma maneira que eles.

E, para você que lidera equipes, é fundamental o conhecimento de que os seus liderados podem estar seguindo o que você diz só para estarem conformes. É importante que você dê voz a eles. Quem sabe algum deles não tem a resposta que a sua empresa precisa para dar a virada?

Veja abaixo um exemplo contemporâneo do experimento de Asch.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.
more about “View Overstream: ‘Conformidade’“, posted with vodpod
Fontes:
Asch, S. E. (1951). Effects of group pressure upon the modification and distortion of judgments. Groups, leadership, and men, 177-190.
http://www.spring.org.uk/2007/11/i-cant-believe-my-eyes-conforming-to.php
http://www.mindpowernews.com/5Psychological.htm
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Written by Nilzo Andrade

05/05/2009 at 3:21 am

Dia do Trabalho: fim da escravidão?

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Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. Confúcio


Você não acha engraçado comemorar o Dia do Trabalho com… um feriado? Se o ganha-pão fosse prazeroso para a maioria das pessoas, não haveria a necessidade de ficar longe dele neste dia. A ansiedade pela folga reflete o desejo de fugir de uma relação que lembra àquela que foi abolida (pelo menos formalmente) há 120 anos.

Como diz o sociólogo italiano Domênico de Masi, um trabalho verdadeiramente prazeroso é aquele que você não saberia dizer onde está a froteira do estudo, do lazer e do próprio trabalho.

Para você refletir, aqui está um vídeo antiguinho (por isso a qualidade do imagem não é tão boa) com o Waldez Ludwig. Será que a relação senhor do engenho-capataz-escravo não existe mais?

Written by Nilzo Andrade

30/04/2009 at 11:34 am

O salário do professor e do juiz

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Que líderes formaremos quando um professor primário ganha tão pouco? Não sei se você já se fez esta pergunta, mas deveria.

A UNESCO divulgou um estudo comparativo com os salários de professores do ensino fundamental de 38 países. Ficamos no terceiro lugar, perdendo para Peru e Indonésia o posto do pior salário. O país-destino dos surfistas emplacou U$ 1.624 por ano, enquanto os incas U$ 4.752. O país do futebol quase perdeu para os peruanos, com U$ 4.818,. Bem longe da média dos países desenvolvidos, U$ 33.209 por ano.

Faça um comparativo. Um Juiz do Supremo Tribunal Federal (que tem título de Ministro em nosso país) recebe U$ 148 mil por ano. Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro.

Acho que alguns professores têm vontade de usar um nariz vermelho.

Acho que alguns professores têm vontade de usar um nariz vermelho.

Para ser professor, é preciso  vocação. Num sistema como o nosso, os professores natos acabam migrando para outras funções para terem uma vida digna. Com um salário merreca, afastam-se do objetivo das suas vidas. Assim, a profissão de professor tende a atrair os profissionais que, ou não conseguiram um posição melhor no mercado, ou não tinham competência para tanto.

Longe de ser simplista e determinista, já podíamos ser um país desenvolvido se a situação fosse diferente. O salário baixo dos professores indica a total falta de prioridade em investir na educação desde a época que tentamos deixar de ser colônia. É um paradoxo investir na punição, no juizado, quando temos um país tão ignorante. Incentivamos o crime ao não priorizar a educação.

Pagamos bem os juízes e construímos templos seguros para o exercício digno de suas funções, enquanto os professores minguam comendo mingau em escolas depredadas com alunos que os ameaçam sem punição.

Nosso país precisa aplicar a política dos juízes nas escolas, para que elas sejam tão imponentes e seguras quanto os fóruns. Que os professores tenham status de Ministros. Que consigamos, enfim, assumirmos o papel de preparadores dos futuros líderes do Brasil varonil. Se não, haja senso de missão.

Veja aqui o exemplo de uma escola que acho interessante, não só por valorizar os seus profissionais, mas pela proposta de seu processo educativo.

Written by Nilzo Andrade

28/04/2009 at 2:44 pm

Publicado em Educação

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Ser maestrina é exercer muita liderança

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No dia 9 de abril de 2009, fui assistir, à convite de meu amigo Eduardo Potério e de sua educadíssima esposa Carla, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) na Sala São Paulo. Em nosso camarote, estavam presentes Marcus Siqueira (compositor dos Seis Estudos Sinfônicos apresentados naquela noite), Jana Bouskova (harpista que tocou o Concerto para Harpa de Alberto Ginastera), Marcelo Lopes (Diretor Executivo da Fundação OSESP) e Laura Ferro (Diretora da Cia. SwáSthya de Artes Cênicas).

Segundo o Marcelo, o programa não era o dos mais fáceis do ano, tanto de ouvir quanto de tocar. Foi regido pela competente maestrina portuguesa Joana Carneiro, que deu um espetáculo. Ela é enérgica e vigorosa, com um estilo muito particular. Dava para ouvir os golpes com os pés que a pequena Joana dava no tablado.

Joana sempre atenta.

Joana sempre atenta.

Com apenas 32 anos, tem uma carreira internacional exemplar, dirigindo atualmente a Orquestra Sinfônica de Berkeley. O que me chamou a atenção em sua apresentação era a maneira como exercia a liderança sobre a orquestra. Transbordando um forte estilo matriarcal, parecia estar muito atenta em cada músico, como que a educar e evitar qualquer deslize. Era com uma mãe que está atenta para que seu filho faça tudo certo. Ela transpirava cuidado, exigência e amor.

Magnética, reforçou o estilo que eu penso ser o que deve ser adotado pelos líderes neste novo momento econômico e histórico: uma liderança mais matriarcal, carinhosa, desrepressora e atenta aos sentidos, às necessidades das pessoas.

Conheça aqui o programa daquela noite e assista abaixo um breve documentário sobre a OSESP.

Trabalhe o corpo para enfrentar a crise

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Veja como o SwáSthya Yôga pode ser um aliado para vencer a crise.

Conheça mais em http://www.uni-yoga.org e no blog do DeRose.

Written by Nilzo Andrade

20/04/2009 at 8:09 am

Ontem fui empossado como sócio do Rotary

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Meu amigo e Companheiro Jeandro Fileti entregando o pin.

Meu amigo e Companheiro Jeandro Fileti entregando o pin.

É com muita satisfação que comunico que ontem fui empossado como sócio do Rotary Club Curitiba Champagnat. Foi um momento de muita alegria e satisfação pessoal, pois meus pais já foram Rotarianos e fundadores de um de seus clubes.

Agradeço o carinho recebido por todos os membros que me acolheram, em especial ao meu amigo Jeandro Fileti (pela indicação), ao Presidente Antônio Stefanski e ao Governador Assistente Gerardo.

Nilzo lendo o juramento Rotário.

Nilzo lendo o juramento Rotário.

Nilzo junto ao amigo Jeandro Fileti, Presidente Stefanski e Governador Assistente Gerardo.

Nilzo junto ao amigo Jeandro Fileti, Presidente Stefanski e Governador Assistente Gerardo.

Written by Nilzo Andrade

15/04/2009 at 10:01 am

O exemplo de Harvey Milk para os com mais de 40

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Milk fez tudo depois dos 40.

Assisti Milk, A Voz da Liberdade fazem alguns dias e fiquei fascinado por sua determinação. Imagine um homossexual ter um cargo no congresso estadunidense numa época em que a psiquiatria considerava o homossexualismo um distúrbio e onde havia uma lei (nos EUA) que tentava dispensar todos os professores gays e simpatizantes das escolas públicas. Preconceito, segregação social e econômica imperavam sobre quem não era heterossexual.

Harvey Milk, interpretado pelo merecido ganhador de oscars Sean Penn e dirigido pelo rocker Gus von Sant (dirigiu um greatest videos do Red Hot Chilli Peppers, um do Bowie e um filme baseado na vida Kurt Cobain), não tinha feito nada demais até os 40 anos, segundo ele mesmo. Mas mesmo assim ele sabia quepoderia deixar um legado. Devido às grandes pressões que sofria por sua escolha sexual, resolveu ir a luta. Focado, canditou-se a um posto político em São Francisco. Perdeu. Candidatou-se de novo e… perdeu novamente. Só em quarta investida, ganhou e fez história.

Mais do que lutar por questões de direitos humanos, ele lutava pela vida. Lutava por ideais. Lutava pela sobrevivência. Quis legislar para as minorias. Quando ele abriu uma loja de produtos fotográficos na romântica São Francisco em meados dos anos 1970, sofreu uma resistência absurda por parte dos vizinhos comerciantes. Mesmo assim, foi eleito o “prefeito da Rua Castro”, transformando sua loja em reduto ativista da sua causa.

Depois de eleito, seu exercício político foi pautado pelas oposições ferrenhas que enfrentava. Sim, ele teve inimigos dentro do congresso. Tanto que um deles, Dan White, transformou-se em seu algoz. Existe até uma maxima que diz que, para ter sucesso e reconhecimento, arranje um inimigo. E Harvey tinha este estímulo de sobra.

O filme que foi feito em sua homenagem serve de relicário de sua obra e de exemplo para os que já se entregaram após os 40 anos. Gandhi, Monteiro Lobato, Roberto Marinho, Einstein, DeRose e Frank Sinatra só tiveram seu reconhecimento público após as temidas 4 décadas. E tantos outros começaram suas carreiras de sucesso após os cabelos brancos estarem aparentes.

Para você que tem menos de 40: seja focado e seja constante em seu objetivo.

Para você com mais de 40: este é o seu momento mais propício para ter sucesso.

Espero aumentar a lista de exemplos com o seu nome. E quem sabe alguém não fará um filme sobre você?

Written by Nilzo Andrade

14/04/2009 at 8:46 am