O Líder dos Sonhos

Idéias sobre Autoconhecimento e Liderança

O salário do professor e do juiz

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Que líderes formaremos quando um professor primário ganha tão pouco? Não sei se você já se fez esta pergunta, mas deveria.

A UNESCO divulgou um estudo comparativo com os salários de professores do ensino fundamental de 38 países. Ficamos no terceiro lugar, perdendo para Peru e Indonésia o posto do pior salário. O país-destino dos surfistas emplacou U$ 1.624 por ano, enquanto os incas U$ 4.752. O país do futebol quase perdeu para os peruanos, com U$ 4.818,. Bem longe da média dos países desenvolvidos, U$ 33.209 por ano.

Faça um comparativo. Um Juiz do Supremo Tribunal Federal (que tem título de Ministro em nosso país) recebe U$ 148 mil por ano. Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro.

Acho que alguns professores têm vontade de usar um nariz vermelho.

Acho que alguns professores têm vontade de usar um nariz vermelho.

Para ser professor, é preciso  vocação. Num sistema como o nosso, os professores natos acabam migrando para outras funções para terem uma vida digna. Com um salário merreca, afastam-se do objetivo das suas vidas. Assim, a profissão de professor tende a atrair os profissionais que, ou não conseguiram um posição melhor no mercado, ou não tinham competência para tanto.

Longe de ser simplista e determinista, já podíamos ser um país desenvolvido se a situação fosse diferente. O salário baixo dos professores indica a total falta de prioridade em investir na educação desde a época que tentamos deixar de ser colônia. É um paradoxo investir na punição, no juizado, quando temos um país tão ignorante. Incentivamos o crime ao não priorizar a educação.

Pagamos bem os juízes e construímos templos seguros para o exercício digno de suas funções, enquanto os professores minguam comendo mingau em escolas depredadas com alunos que os ameaçam sem punição.

Nosso país precisa aplicar a política dos juízes nas escolas, para que elas sejam tão imponentes e seguras quanto os fóruns. Que os professores tenham status de Ministros. Que consigamos, enfim, assumirmos o papel de preparadores dos futuros líderes do Brasil varonil. Se não, haja senso de missão.

Veja aqui o exemplo de uma escola que acho interessante, não só por valorizar os seus profissionais, mas pela proposta de seu processo educativo.

Written by Nilzo Andrade

28/04/2009 às 2:44 pm

Publicado em Educação

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11 Respostas

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  1. Gostei do seu ponto de vista. Concordo plenamente.

    Laura Ferro

    28/04/2009 at 3:53 pm

  2. Eu sempre afirmei que a profissão de professor primário deveria ser a mais bem remunerada entre todas as profissões. É graças ao professor primário, que nos ensinou a ler e escrever, a somar, multiplicar, subtrair e dividir, etc. Essas noções básicas mais profundamente necessárias em quaisquer profissões que hoje existem tantas outras profissões, ganhando o triplo ou até mais do que ganha aquele dedicado professor ou professora.

  3. É mais pura verdade, Regina. Espero que esta mesma consciência comece a contaminar mais e mais pessoas, e assim teremops força para isso.

    Nilzo Andrade

    28/04/2009 at 7:00 pm

  4. na ultima eleição para presidente da republica, sómente 2% votaram o candidato com propostas para mudar o sistema de educação, sendo que esta seria sua prioridade.

    Nilzo Andrade

    29/04/2009 at 9:38 pm

  5. É verdade, pai. O único candidato que tinha uma prosposta totalmente focada na educação não foi reconhecido. Mas quem sabe tentamos identificar este perfil na próxima?
    Bjs!

    Nilzo Andrade

    29/04/2009 at 10:18 pm

  6. Oi Nilzo,

    gostei muito do seu texto. Só discordo de uma coisa: para ser professor, não é preciso vocação. É esse raciocínio que justifica os baixos salários, a baixa preparação. Parece que existe um movimento de “sacralização” do magistério, sabe? Às vezes, conversando com colegas de magistério, eu ouço “ah, mas eu faço o que eu amo”. Desculpa, ninguém diz que para ser bom médico, bom engenheiro, bom juiz é preciso amar. Só para ser bom professor. Será mesmo? É preciso competência técnica e compromisso. Sem esses dois, nem todo o amor e vocação do mundo vão dar conta.

    Expandindo um pouco mais esse raciocínio, é esse discurso do “amor”, da “vocação” que segura pessoas sem competência e sem compromisso dando aula. Porque, pôxa, são pessoas tão boas que amam tanto que fazem… qual o problema de ensinarem tanta coisa errada? É para pensar um pouco, não?

    Carla do Brasil

    30/04/2009 at 11:31 am

  7. Pô,

    eu queria que a minha mãe lesse meus blogs (não todos!!!).

    Quando fizer um up no meu equipamento, este note vai pra ela.

    Abraços!

    Alessandro Martins

    30/04/2009 at 2:25 pm

  8. Com certeza, Carla. Vc pegou um ponto bem interessante. Será que as vezes falam que amam por não terem competência para fazer outra coisa? Até gostariam, mas não tem a “pegada”, se é que vc me entende.
    Bj grande para vc e obrigado pela leitura!

    Nilzo Andrade

    30/04/2009 at 2:40 pm

  9. :0 para mim foi uma surpresa bem grande ter a leitura de meu pai! Gostei muito desta surpresa 🙂
    Mande logo para ela!
    Abs!

    Nilzo Andrade

    30/04/2009 at 2:42 pm

  10. […] in O líder dos sonhos […]

  11. Gostei do seu artigo, professor. Sou cientista social e aluno da Faculdade de Educação da USP. Fiquei estarrecido ao saber que a carreira de professor começa com um salário pouco superior ao mínimo. Falar das irracionalidades de nossa sociedade é chover no molhado e esperar algo dos caçadores de votos é sonhar acordado. É preciso ação, é preciso que os professores reformem seu sindicato ou forcem-no a agir. Povo ávido de chegar ao topo, estamos quase lá, somos o terceiro país que pior remunera o professor. Pergunte aos tecnocratas quanto ganham as pessoas cujo conselho ele respeita para fazer suas aplicações? Quanto deve ganhar quem prepara os que tomarão seu lugar no futuro? Talvez ele tenha tão pouco apreço pelo que aprendeu na escola que ele discuta suas aplicações no botequim.

    É preciso virar a mesa.

    Abraço,

    David

    Carlos David O. Soares

    04/09/2010 at 4:35 am


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